domingo, 9 de dezembro de 2018

Amigo literário


Ontem aconteceu a revelação de um Amigo Literário do qual participei. Esta brincadeira é parecida com o Amigo Oculto, com a diferença de que o presente deve ser um livro. Os organizadores foram o Alisson e a Vanessa, idealizadores do Bookaholic, um grupo de leitores. A festinha ocorreu na Center Livros, a livraria da cidade, onde trabalhei de janeiro de 2014 a dezembro de 2016.

Como era minha primeira vez, eu estava um pouco nervoso. Meu amigo literário foi um rapaz que agora trabalha na Center Livros e que, por este motivo, acabou descobrindo antes da hora tanto que eu o havia sorteado quanto o livro que comprei para ele, o cyberpunk Neuromancer, de William Gibson. Tudo isso porque os papeizinhos com nossos nomes e as listas com sugestões de livros estavam na livraria e, como é a única da cidade, precisei comprar o livro lá, bem no horário em que ele estava trabalhando. Tentei disfarçar, mas o outro rapaz que me atendeu não conseguiu ser muito discreto.

Ganhei os livros Um milhão de finais felizes, de Victor Martins, e Como funciona a ficção, de James Woods. Sim, ganhei dois livros de uma moça que eu costumava atender quando trabalhava na livraria. Quando ela foi me anunciar, disse que seu amigo literário a havia aturado muito e durante bastante tempo. No mesmo momento percebi que estava falando sobre mim, porque ela foi uma de minhas clientes fiéis, daquelas que chegavam na loja anunciando que só seriam atendidas por mim.

Um milhão de finais felizes é um romance com protagonista gay, do mesmo autor de Quinze dias, outro título que está em minha lista. Como funciona a ficção é um livro sobre a arte de escrever, publicado pela editora SESI–SP. James Wood, o autor, é um crítico literário que, neste trabalho, aborda questões como o narrador, o personagem, as metáforas, entre outras coisas muito interessantes. Amo livros sobre leitura e escrita. Tenho alguns que são de fato muito bons, como o excelente Para ler como um escritor, de Francine Prose.

Não preciso dizer que fiquei muito feliz com os presentes. Também me diverti bastante na hora da revelação, porque eu não conhecia a maioria das pessoas que estavam ali. E elas também não se conheciam pessoalmente, então quase todo mundo começou o discurso dizendo algo como “Eu não conheço a pessoa que eu tirei, mas...”. Quem me salvou de ficar completamente perdido foi o Leonardo, um rapaz que conheci quando aceitei participar da brincadeira e que me chamou para conversar sobre livros minutos depois de eu ter me apresentado no grupo de Whatsapp feito para a interação dos participantes. Ah, e descobri que o André Aciman, autor de Me chame pelo seu nome lançou um novo romance, o Variações Enigma... Quero muito!

© Jefferson Adriã Reis
Maira Gall