Ponte para Terabítia

by - janeiro 07, 2018

Me lembro do cartaz na porta da pequena videolocadora. Uma garota, um garoto, um carro velho, uma floresta e a promessa de algo único, mágico e encantador. Nunca consigo conter a emoção quando assisto a Ponte para Terabítia (Gábor Csupó, 2007), pois sou levado para o reino maravilhoso da amizade e da imaginação, e sabia que com o livro não seria diferente.
Jess Oliver Aarons Junior é um garoto solitário e inventivo que acaba de começar a 5ª série no colégio de Ensino Fundamental da pacata Córrego da Cotovia. Jess gosta de desenhar, mas prefere manter isso em segredo para evitar gozações, tanto de sua família quanto de seus colegas. Sua maior ambição é ser o corredor mais rápido de sua turma, por isso passa as férias de verão saindo bem cedo da cama para treinar no pasto antes de ordenhar Miss Bessie e cuidar de outras obrigações.
E ele fica tão bom e veloz que, não fosse pela novata Leslie Burke, sua vizinha, venceria todos os outros garotos e conseguiria o tão sonhado título. Mas aquela menina diferente e intrometida passa a ganhar as corridas ­– todos os dias! – sem dar chance para ninguém. E o pior é que Leslie insiste em ser amiga dele, como se não bastasse aguentar as quatro irmãs. Com o tempo, Jess baixa a guarda, totalmente encantado com quem poderia ser sua primeira amiga de verdade... e companheira no governo de um reino mágico.
Katherine Paterson (medalha Hans Christian Anderson em 1998) não tem pena de nos fazer percorrer o caminho de volta à infância enquanto saltamos por um riacho agarrados a uma corda velha. Com uma escrita simples – e aqui agracio a tradução de Ana Maria Machado (prêmio Hans Christian Andersen de 2000) –, Paterson nos insere no imaginário e nas dificuldades infantis, que, observados pelos adultos, podem parecer coisas bobas e sem importância. Seus personagens são críveis e cativantes, apesar de a narrativa se mostrar acelerada; característica que incomoda, porque o leitor se envolve e quer saborear a estória, mas que é justificada por ser um livro de literatura infantojuvenil.
Ponte para Terabítia é uma estória especial para mim e é uma pena que eu tenha lido o romance somente agora, pois fui uma criança cheia de mundos fantásticos e amigos imaginários. Tenho certeza de que o “eu criança” teria gostado tanto quanto ou mais do que o “eu adulto” que finaliza essa leitura com nostalgia e encanto. 



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