Mnemósine

by - janeiro 02, 2018

Hoje passei o dia desbravando quinquilharias. Livros velhos, muitos papéis, documentos, cartas, cadernos de quando eu tinha 8 anos. Aos poucos e com muito trabalho fui me desapegando de algumas coisas. Descartei trabalhos acadêmicos de quando eu ainda cursava Letras; revistas; contas; o documento confirmando a vaga conquistada pelo vestibular, que eu vinha guardando desde 2009. E mesmo assim ainda fiquei com livros que provavelmente não lerei, gibis, revistas; apostilas e vários cadernos usados com folhas limpas que pretendo reutilizar.  Ao menos organizei o armário e fiz uma primeira triagem.
Antigamente eu costumava ser um tanto acumulador. Acho que isso começou com um cuidado que eu tinha pelos objetos e depois, com o tempo, foi ficando pior quando comecei a atribuir significados e essas coisas, que a cada ano se tornavam mais e mais raras e sobreviventes. O problema é que isso ocupa espaço, tanto físico quanto mental e emocional. Por isso tenho pensado se realmente preciso de algo antes de adquiri-lo e abro mão logo que algum objeto se quebra ou se encontra fora do prazo de validade. Joguei no lixo meus chinelos que brilham no escuro minutos depois de um deles ter a correia partida por causa de ser bastante antigo e porque eu gostava tanto deles que os usava sempre.  
 Há alguns dias me desfiz de algumas peças de roupa e hoje foi a vez das coisas de papel.  O que fica é o sentimento de leveza e de desapego. Pessoas nostálgicas como eu não deveriam facilitar para a melancolia. Menos matéria e mais vivência. Sinto que ambientes cheios e desorganizados podem fazer com que eu me sinta cheio e desorganizado também. E essa terapia do desapego não deve limitar-se somente aos objetos, é claro, mas também abarcar os medos, receios, traumas e as coisas ruins que podemos vier a pensar sobre nós.

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