sábado, 10 de novembro de 2018

Verde, vermelho e azul


Morar em uma cidade pequena é uma experiência muito solitária se você é uma pessoa LGBT. Se essa cidadezinha se situar no Mato Grosso, seja entre extensas plantações de soja ou no meio das altas árvores amazônicas, essa solidão pode ser tão vasta quanto a imensidão do verde que se estende pelo campo para se encontrar com o azul do céu em um lugar muito distante. E se por acaso a pessoa LGBT em questão for introspectiva ou tímida... bem, ela terá tido tempo e espaço o bastante para perceber as cores do deserto. O meu deserto é verde e vermelho, a cor da folha e a cor da poeira, mas meu coração é azul.



domingo, 4 de novembro de 2018

Eu chovo, tu choves, ele chove


Abro a janela. A claridade da tarde mergulha no quarto. Mas não é uma luz de dia ensolarado. Choveu pela manhã, ou depois de meio-dia, não sei ao certo, mas bonitas nuvens cinzentas ainda deslizam pelo céu. Sopra um vento fresco em Pedra Preta. As roseiras de minha mãe, plantadas em frente à casa, rentes à mureta azul e à grade verde, estão repletas de pingos de chuva que ali caíram e ficaram. Não tem chovido em Mato Grosso como geralmente chove nessa época, mas talvez a estação das águas tenha de fato chegado. Talvez o verão tenha se encorajado a começar... É o fim do ano, mas o início de muitas outras coisas.

© Jefferson Reis
Maira Gall